- A campanha “Se Cuidas do Planeta, Combates a Pobreza” convida, em março e abril, a apreciar a diversidade do nosso mundo e a protegê-la
13-03-2017 Madri, Espanha
As ações de sensibilização nestes dois meses acentuam o quarto ponto do Decálogo Verde, em que se faz o convite “Apreciarás a diversidade do nosso mundo”. Escolas, paróquias e ministérios têm materiais à sua disposição para essa ação conjunta de REDES, Confer, Cáritas, Justiça e Paz e Mãos Unidas.
Nesta nova etapa do calendário bimestral de sensibilização, que se prolongará até o fim de 2018, as entidades promotoras da Campanha Se cuidas do planeta, combates a pobreza – Cáritas, CONFER, Justiça e Paz, Mãos Unidas e REDES (Rede de Entidades para o Desenvolvimento Solidário)— exortam a proteger a diversidade da Criação ante o perigo de perdê-la.

A Família Agostiniana Recoleta faz parte dessa campanha de forma dupla, por participar da Conferência Espanhola de Religiosos (CONFER) e, também, através de sua ONGD Haren Alde, na coordenadora REDES.

Não se trata de falso alarmismo: segundo os informes da ONU, perdem-se atualmente cerca de 150 espécies animais por dia. Para além da frieza dos dados, o certo é que as estatísticas nos falam de uma realidade evidente, de que muitas das espécies animais e vegetais desaparecem sem que tenhamos chegado a conhecê-las, com todo o seu caudal de informação e de conhecimento que já não será possível aprender.

Como se indica na Encíclica Laudato Si’, “a grande maioria (dessas espécies) extingue-se por razões que têm a ver com alguma atividade humana. Por nossa causa, milhares de espécies já não darão glória a Deus com a sua existência, nem poderão comunicar-nos a sua própria mensagem. Não temos direito de fazê-lo” (LS 33).


Olhar para além do imediato

Num mundo em que estamos habituados a dispor de quase tudo de forma ilimitada e fácil, de obter recursos ou benefícios, tanto particulares como públicos, de maneira imediata, a Campanha interpela-nos sobre o pouco interesse que mostramos acerca de quais são os efeitos desses hábitos sobre os outros ou sobre o futuro da Criação.

Daí a urgência de entender que “o cuidado dos ecossistemas requer uma perspectiva que se estenda para além do imediato, porque, quando se busca apenas um ganho econômico rápido e fácil, já ninguém se importa realmente com a sua preservação” (LS 36).


Efeitos globais da ação local

Além do impacto no meio ambiente, que vem sendo produzido sobre os grandes ecossistemas terrestres, como, por exemplo, na deterioração das grandes florestas tropicais ou no retrocesso dos gelos polares, a Campanha enfoca também os fatos que ocorrem bem perto da Espanha, onde a iniciativa se realiza, como a redução alarmante da população dos pardais ou das abelhas, ou a progressiva degradação de ecossistemas agrícolas como a planície de Granada, ou os cinturões verdes de Múrcia e de Valência, que desaparecem ante a nossa indiferença e até mesmo com a nossa participação.

Essas mudanças trazem consequências que vão além do dano aparente, já que afetam os espaços, as pessoas e demais seres vivos, bem como a sustentabilidade global do planeta, traduzindo-se, por exemplo, no deslocamento forçado de seres humanos de seus lugares de origem por causa da desaparição de seus meios de vida ancestrais e de suas fontes de recursos.

É importante tomar consciência da parcela de responsabilidade que temos neste processo e não continuar a depositá-la unicamente nas decisões dos responsáveis públicos ou dos grandes diretivos de empresas. Nossas opções como cidadãos e nossas ações ou hábitos cotidianos também têm consequências, devido ao “mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas” (LS 20). Convém não nos esquecermos de que está em nossas mãos corrigir ou mudar o rumo dos acontecimentos.


Vozes que clamam

Entre os materiais editados para difundir o conteúdo do Quarto Ponto do Decálogo Verde, inclui-se o testemunho de César Tánguila, representante do povo quíchua do Equador, a reclamar que cessem os “saques à nossa Amazônia”.

“Dói-nos –explica— que a nossa identidade se esteja perdendo, prejudica-nos a extração petroleira, a mineração, a madeireira e mais outros assuntos dos jovens, em que nossa cultura também está implicada. Toda essa identidade se perde, essa maneira de vida se perde”.

Para este indígena da Amazônia equatoriana, “devemos todos lutar, devemos todos ser um povo, sem a união não há força, por isso, cada um de nós deve pensar, raciocinar, levar a mão ao peito para defender o nosso meio ambiente sem contaminação, porque, até agora, uns poucos ainda temos os recursos sãos, enquanto outras partes das comunidades são afetadas e só lhes resta a miséria”.

“Já não deve haver mais saques à nossa Amazônia”, acrescenta César. “Nossos antepassados, eles não falhavam, eram antropólogos, cientistas, astrólogos, ensinavam-nos a viver a partir da natureza, a saudar, a compartilhar, a viver a cultura, a cosmovisão e isso era a espiritualidade. Por isso, é necessário valorizá-lo para que a nossa identidade não se perca, para que aqueles valores fortaleçam a nossa vida, porque sem a cultura, não há vida”.

Os materiais da campanha estão disponíveis em http://www.enlazateporlajusticia.org/

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