- Formação em Direitos da Criança e em Educação para mais de 200 pessoas
14-04-2011 Kamabai (Serra Leoa)
A aldeia de Kamabengbeh é uma das que receberam a visita da Associação YGDA para a promoção do direito de gênero e dos direitos da infância, com o apoio de Haren Alde e da Comunidade de Madrid.

A Associação Juvenil para o Desenvolvimento de Gênero (YGDA, na sigla em inglês), com o apoio e a assistência da Missão Católica de Kamabai dos Agostinianos Recoletos e da ONGd Haren Alde, e com o financiamento da Comunidade de Madrid, realizou mais uma de suas reuniões por aldeias na região de Biriwa, desta vez em Kamabengbeh.

Quatro membros da associação (Medo Mohamed Mansaray, Madie Mansaray, Princess Hannahmusa e Adama Kallon), acompanhados por Rodrigo Díez, cooperador expatriado do projeto Pikines II, dirigiram-se a esta aldeia, situada a umas 6 milhas (pouco menos de 10 km) de Kamabai, para oferecer informação e formação sobre importantes assuntos, tais como a escolaridade das crianças, o tratamento que se há de dispensar aos menores, os direitos da infância, a necessidade de se evitar o matrimônio infantil, as gestações não desejadas e as doenças sexualmente transmissíveis além de, especialmente, recordar a proibição, em vigor na legislação local, da ablação genital feminina nas meninas e adolescentes.

Às dez e meia da manhã, os membros da Associação reuniram-se em Kamabai para preparar a reunião, os materiais e a ordem do dia. Chovia bastante e a estrada até a aldeia obrigou a engrenar as marchas mais fortes do veículo 4x4 em certas ladeiras devido ao barro e à água acumulados pelo caminho.

Alguns membros da aldeia prepararam o almoço, que se costuma oferecer em ocasiões como esta. Para que todos pudessem escutar confortavelmente as diversas intervenções, quando a chuva deu uma trégua, dispuseram-se os bancos no pátio do prédio da antiga escola, próximo ao local em que o novo edifício vem sendo construído, financiado também ele pela Comunidade de Madrid em colaboração com Haren Alde.



Os temas tratados foram os habituais na ocasião da primeira reunião que se tem numa aldeia, como de fato o era em Kamagbengbeh. Desse modo, insistiu-se na importância da educação, mostrando-se a todos o resultado de um recente estudo realizado pela YGDA, por meio do qual se conclui que as meninas que terminam o ensino secundário na região correspondem a uma porcentagem mínima, não chegam a 30%. As causas principais do fenômeno são a gravidez na adolescência, o matrimônio infantil imposto pela cultura local e, em menor proporção, a falta de recursos financeiros ou a necessidade de deslocamento a outras localidades como Kamabai.

Deu-se especial ênfase à recordação de que o costume da ablação genital feminina praticada pela Sociedade Bondo (sociedade secreta das mulheres naquela região do país) é uma prática contrária à legislação em vigor, além de ser um atentado contra os direitos das meninas e, em caso de ser praticada em menores de 18 anos ou em qualquer pessoa sem o seu explícito consentimento, uma conduta que acarreta sanções penais.

Quando se deu o uso da palavra à comunidade, teve-se um dos momentos mais enriquecedores da reunião. Algumas pessoas expuseram a dificuldade de enviar as meninas à escola e a ineficácia da decisão dos chefes de obrigar os rapazes ou homens adultos que as engravidam a tomarem conta do filho. Outras mulheres perguntaram sobre os ritos de iniciação em outras culturas e se lhes explicou que a mutilação genital feminina é peculiaridade de apenas algumas regiões muito restritas da África.

Expuseram algumas situações de sua vida diária. Por exemplo, lembraram que, na maioria das baffas (cabanas de madeira e teto de palma) não existe intimidade alguma, uma vez que dormem no mesmo espaço mais de cinco pessoas. Nesse contexto, as crianças pequenas têm ocasião de observar as relações sexuais dos adultos desde muito cedo.







Numa das casas do povoado, dois irmãos pequenos foram encontrados imitando a dois adultos durante a relação sexual, sem ter absolutamente conhecimento a respeito do que estavam fazendo. Essa é uma das razões pelas quais, na região, ao completar 14 anos de idade, quase 60% das meninas já tenham tido sua primeira relação sexual.

No fim da reunião, abriu-se um pequeno diálogo sobre a nova escola que vem sendo construída na localidade, conforme o projeto de desenvolvimento Pikines II, financiado pela Comunidade de Madrid, apresentado pela ONGd agostiniana recoleta Haren Alde e gerenciado pela Missão dos Agostinianos Recoletos em Kamabai.


Recordou-se aos participantes que a escola que estavam para receber não era um presente inteiramente grátis, mas que muitas pessoas como eles tinham destinado um dinheiro público para que agora eles tivessem uma responsabilidade. Neste sentido, enfatizaram-se a necessidade e a obrigação que contraíam eles de, assim que a nova escola começar a funcionar, deixando o prédio antigo que se encontra em ruínas, fazer com que todas as crianças menores de 16 anos frequentem as aulas.

A reunião durou pouco mais de três horas e a ela assistiram cerca de 200 habitantes de Kamabengbeh. Depois da conclusão dos trabalhos, todos continuaram a conversa num almoço popular, também financiado dentro do projeto, como meio de facilitar a assistência a todos os membros da aldeia e de promover sua participação.

Por volta das quatro da tarde, os membros da YGDA voltaram a Kamabai e deram por finalizada esta jornada de formação, educação, sensibilização e escuta da realidade social e educacional da região de Biriwa. Registraram-se em ata todas as conclusões e as intervenções das pessoas, o que contribui para a posterior divulgação daqueles dados de uma forma objetiva.

Terminada a época das chuvas, retomar-se-á a programação habitual de visitas às aldeias, quer às ainda não visitadas, quer reforçando a presença e as ideias discutidas nas que já se visitaram.
 

© HAREN ALDE - A favor dos demais. ONG'D agostiniana recoleta. General Dávila, 5, bajo D. 28003 - Madrid, Espanha. Telefono e fax: 915 333 959. NIF: G-31422793. Inscrita no Registro Nacional de Associações com o número 115.324. Declarada de Utilidade Pública o 17 de Julio de 2000.
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